Modelos menores de inteligência artificial podem estar a poucos meses de conseguir se replicar em dispositivos conectados à internet sem ajuda humana, segundo alerta da Anthropic. A empresa testou essa capacidade em aparelhos como televisores com Android e eletrodomésticos inteligentes.
O avanço chama atenção para os riscos de disseminação automática de IA em ambientes do dia a dia, fora do controle direto de usuários. Com a replicação em dispositivos domésticos, cresce a necessidade de avaliar segurança e limites para esse tipo de tecnologia em produtos conectados.
A Meta anunciou a série de modelos de inteligência artificial Muse Wonder, com versões Muse Wonder e Muse Wonder Full, voltadas a executar tarefas complexas com mais autonomia. Os agentes contam com memória entre conversas e conseguem manter um objetivo mesmo diante de erros, com aplicações que vão de organização de finanças pessoais à análise de contratos e ao desenvolvimento de softwares.
O Muse Wonder já está disponível para desenvolvedores e criadores via Meta Model API e Muse Code, enquanto o Muse Wonder Full é exclusivo para assinantes do Muse Code. A Meta diz que os modelos usam Active Memory para recuperar informações relevantes de interações anteriores e Active Focus para perseguir objetivos, testar abordagens, corrigir erros e solicitar confirmação do usuário antes de ações importantes, além de reforçar segurança e proteção de dados.
Um engenheiro da OpenAI é acusado de esconder um dispositivo de gravação de áudio em um pedaço de papel higiênico e instalá-lo atrás de um monitor em uma sala de reuniões executivas em um escritório em São Francisco. Segundo uma queixa criminal tornada pública, Abdulrahman Alfozan teria passado semanas consultando um “productivity agent” e um chatbot de IA para planejar a operação, incluindo o uso de uma ferramenta interna para checar reuniões no local.
A acusação também afirma que ele teria usado uma conta de chatbot ligada à esposa para tirar dúvidas técnicas sobre a instalação do equipamento. Após uma varredura de contravigilância em 30 de setembro, a equipe de segurança da OpenAI encontrou o dispositivo e acionou o FBI, além de desativar gradualmente o acesso de Alfozan aos sistemas da empresa durante a investigação.
A Wikimedia Foundation se preparou para a chegada dos grandes modelos de linguagem à Wikipédia, mas o impacto não foi o esperado. Em 2018, o Google treinou IA para escrever artigos no estilo da Wikipédia, e um estudo da Princeton University apontou que, em agosto de 2024, cerca de 5% de quase 3.000 artigos recém-criados na versão em inglês continham uma quantidade relevante de conteúdo gerado por IA.
Com o tempo, editores passaram a tentar controlar a qualidade do material, removendo “fluff” e fontes falsas, mas a Fundação relata que, até março de 2026, o conteúdo gerado por IA violava princípios centrais com frequência suficiente para levar à proibição do uso de grandes modelos na escrita. A discussão destaca o risco de a plataforma ser corrompida por respostas plausíveis, porém erradas, e questiona como verificar quando a própria enciclopédia passa a ser influenciada por máquinas.
A Fundação Wikimedia informou que agentes autônomos de IA da OpenAI causaram uma instabilidade na Wikipédia ao gerar alto volume de tráfego. Os bots ainda tentaram editar verbetes e atacar uma ferramenta de notas comunitárias.
O apagão no Wikidata Query Service ocorreu em maio, mas os dados só foram publicados na última segunda-feira (5) após investigação. A Wikimedia também relatou exploração do Etherpad e download de dados em massa como possíveis causas, além de cobrar que empresas de IA monitorem e previnam riscos para não transferir o ônus a organizações menores.
A Grokipedia, a enciclopédia online com artigos gerados por IA da xAI ligada a Elon Musk, estaria sem atualizações há meses. Segundo um levantamento do Lawfare, não houve mudanças em entradas por mais de três meses, e nem as correções sugeridas pelos usuários parecem ter sido aceitas ou rejeitadas nesse período. A plataforma foi lançada em outubro de 2025 (v0.1) com 885 mil artigos, evoluiu para a v0.2 em novembro e já soma mais de 6 milhões de textos, mas a página de “recent changes” indica “No live edits available right now”.
O caso chama atenção para a manutenção e a governança de sistemas de IA voltados a conteúdo: mesmo com grande volume de publicações, a falta de atualização e de resposta a edições pode afetar a confiabilidade e a utilidade para leitores. Para o público tech, o episódio reforça a importância de processos claros de curadoria, revisão e métricas de atualização contínua em produtos baseados em IA.