Pesquisadores de segurança alertam que conteúdo sexual explícito gerado por IA sem consentimento segue se espalhando sem controle, com compartilhamento em mensagens diretas e armazenamento em nuvens privadas, o que dificulta detecção e denúncia. Um estudo coautorado pela Google com usuários da internet nos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, publicado em julho, aponta que o ponto de intervenção mais crítico está na origem das ferramentas usadas para criar as imagens falsas.
Em testes recentes, pesquisadores do White Circle afirmam que guardrails de geradores de imagens de texto de Google e OpenAI podem estar falhando à medida que os modelos ficam mais capazes. Um preprint divulgado no mês passado descreve vulnerabilidades em DALL·E 3, Nano Banana 2 e GPT-Image-2, com a equipe dizendo que, usando ferramentas disponíveis publicamente e chamadas via API, conseguiu gerar conteúdo explícito cerca de 13% das vezes.
O Wellhub revelou o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027 e indica que a adoção de inteligência artificial pode aumentar a carga de trabalho para quem já domina a tecnologia. No Brasil, 37% dos trabalhadores “avançados em IA” relatam que o uso da ferramenta elevou o volume de tarefas, ante 13% entre quem está nos primeiros estágios de adoção. O levantamento também mostra que, no recorte brasileiro, oito em cada dez usuários avançados orientam outras pessoas sobre as ferramentas.
Os dados ainda apontam diferenças nos relatos de esgotamento: 23% dos profissionais mais avançados dizem ter sintomas de burnout diariamente, contra 11% dos iniciantes. A pesquisa destaca que políticas claras e bem comunicadas sobre IA se associam a maior resiliência, e que 75% dos usuários avançados citam recursos de bem-estar como apoio para se adaptar ao ambiente impulsionado pela tecnologia. O estudo foi conduzido entre 12 e 19 de junho de 2026 com mais de 5 mil profissionais em dez países.
O pendant Friend 2, chatbot em formato de pingente sempre “listening”, chegou em julho custando US$ 249 e usa os “latest language models” da OpenAI. O dispositivo responde a comandos e também pode falar sem ser provocado, com um recurso de “silenciar” que exige toques no aparelho.
A Avi Schiffmann, criadora do Friend, afirmou que a próxima atualização vai tornar os chatbots mais “agentically” e mudar a personalização: em vez de personalidades únicas por usuário, todos conversariam com a mesma entidade, compartilhando contexto entre usuários. A proposta aponta para um “hivemind” do Friend, com mudanças que devem afetar como o sistema se comporta e como a privacidade é tratada.
A polícia alemã investiga dois jovens, de 16 e 19 anos, suspeitos de usar um robô humanoide para agredir sexualmente uma adolescente e transmitir o ato ao vivo nas redes sociais. O caso foi divulgado pelas autoridades nesta segunda-feira (12).
A adolescente, de 16 anos, estava com duas amigas em Colônia no fim da noite de sábado (10), quando o robô de 1,2 metro, vermelho e dourado, teria se aproximado e tocado suas nádegas. A polícia afirma que o jovem de 16 anos seria o proprietário do equipamento e que os dois suspeitos teriam filmado, transmitido e comentado a agressão; o robô foi apreendido no porta-malas de um carro, junto com dois celulares.
Artistas têm reclamado nas redes sociais que o DistroKid removeu músicas sem aviso prévio. A plataforma confirmou ao The Verge que os “takedowns” são uma resposta às alegações feitas pela UMG, que entrou com uma ação em setembro acusando a DistroKid de criar um “AI-slop pipeline”.
Músicos relatam dificuldade para obter explicações, com casos como a remoção de faixas licenciadas e até músicas afetadas por amostras consideradas não liberadas. A VP de Artist Services, Amanda Ferri, afirmou que apenas uma “pequena” quantidade de gravações foi retirada, que a empresa contesta as acusações da UMG e que trabalha para reduzir a interrupção aos artistas enquanto protege a capacidade de publicar músicas.
Orkut Büyükkökten voltou a movimentar a internet ao publicar uma carta e uma petição online para propor uma nova rede social. Após uma contagem regressiva nesta quinta-feira (08/10), o projeto liberou apenas o material do criador e um formulário para manifestar apoio.
No texto, Büyükkökten critica o modelo atual das redes sociais, especialmente os feeds baseados em engajamento, e questiona o uso de inteligência artificial e bots. Ele defende uma experiência que priorize pessoas e comunidades, mas o cadastro para demonstrar interesse não garante conta na futura plataforma nem data de lançamento.
A Mirror Particle, startup de IA sediada em São Francisco, está construindo um “world model” para simular por que as pessoas agem como agem e como esse comportamento muda ao longo do tempo. A empresa lançou o Persimmon como alternativa ao uso de LLMs para “role-play” de públicos-alvo, e afirma que sua abordagem busca capturar a pessoa em movimento, com dados longitudinais e sinais mesmo quando não há mudança.
A companhia diz que usa uma combinação proprietária de dados que inclui informações dos clientes, eventos atuais, cultura pop e redes sociais para modelar segmentos demográficos e acompanhar a evolução de motivações. No mercado, o foco inicial é ajudar marcas em pesquisa e estratégia de produto, explicando o “porquê” por trás de recomendações; em um piloto com uma marca de ração para pets, a tecnologia apontou que a questão não era a imagem (frango, carne ou vegetais), mas a percepção de que o produto era massificado e barato.
Um estudo do NetLab (UFRJ) mapeou o fluxo de desinformação até chegar ao grande público durante o primeiro turno das eleições de 2022, analisando 115,3 mil mensagens no WhatsApp e 180,9 mil no Telegram. As narrativas costumam nascer em canais menores e grupos de mobilização e, quando ganham tração, são adaptadas para redes como Instagram, TikTok, Kwai e Facebook, onde atuam recomendação algorítmica, influenciadores e impulsionamento pago.
No centro do alcance está o vídeo curto, apontado como o formato mais “viralizável” para catalisar a desinformação. Com a popularização da IA generativa, o impacto dos deepfakes cresce: um relatório da ANPD indica que o Brasil concentra 39% dos casos na América Latina em 2025 e registra aumento de 126% nos ataques com imagens, vozes e identidades falsas, ampliando o desafio de transparência e fiscalização das plataformas.
Vídeos falsos com voz e imagem de figuras conhecidas dispararam nas redes sociais nas últimas semanas, com destaque para o período eleitoral. Os conteúdos criam declarações políticas inventadas, alteram áudios e montam cenas com aparência realista, capazes de enganar o público.
Com a força da inteligência artificial nesse tipo de manipulação, aumentam os riscos de desinformação e de golpes financeiros associados a perfis e vídeos adulterados. O avanço desse recurso pressiona plataformas e usuários a redobrarem a verificação antes de compartilhar ou acreditar no que é visto.
Avatares hiper-realistas gerados por inteligência artificial acumulam milhares de seguidores em TikTok, YouTube e Instagram e passam a atuar como vendedores, influenciadores e até “falsos especialistas”, mesmo não existindo no mundo real. Tutoriais publicados nas redes mostram promessas como “ela não existe, mas paga meu cartão”, enquanto produtores monetizam vídeos, recebem comissões em marketplaces e divulgam produtos digitais.
Pesquisadores apontam que a estratégia usa automação e roteiros adaptados para diferentes idiomas, com algoritmos direcionando os conteúdos a públicos específicos. No YouTube, a prática também aparece ligada ao envio massivo de vídeos genéricos (slop) para cumprir requisitos de monetização, e o impacto mais grave pode ocorrer na saúde, com comentários de pessoas dizendo que abandonaram tratamentos tradicionais após seguir “orientações” promovidas pelos avatares.
O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, esteve em San Francisco para promover o país e, diante de cerca de 250 founders, investidores e operadores, disse que não tem respostas para muitas das questões sobre IA que líderes discutem em particular. Ele afirmou que a Grécia está implementando medidas como a proibição de redes sociais para crianças menores de 15 a partir de janeiro e citou um piloto educacional com a OpenAI para reduzir tarefas administrativas de professores.
Mitsotakis também alertou que estudantes já usam chatbots para fazer lição de casa e que o país busca equilibrar benefícios de tutores de IA com a necessidade de manter o aprendizado das habilidades básicas. Ao falar de infraestrutura, mencionou projetos de data centers com Microsoft e AWS na Grécia e defendeu que a regulação “inteligente” é inevitável, além de dizer que governos e sociedades não estão preparados para o ritmo de deslocamento de empregos causado pela IA.
A Adobe lançou nesta terça-feira (22) o Premiere Mobile para Android, ampliando o editor de vídeo que já existia no iPhone para celulares e tablets. O app é gratuito e inclui edição em linha do tempo multifaixa, efeitos, transições e ferramentas de áudio, além de exportação em 4K sem marca d’água.
A maior parte das funções de edição fica disponível sem assinatura, como cortar, aparar e reorganizar clipes, gravar narração e usar templates para redes sociais. A cobrança principal fica nos recursos de IA generativa do Adobe Firefly, que usam créditos para gerar elementos como imagens, adesivos e efeitos sonoros, enquanto o app também permite começar a editar sem exigir login e exportar sem anúncios nem limite de exportações.
Patti Harrison, comediante trans, afirmou que o clima atual nas redes sociais tem levado as pessoas a um “silo” de fala limitada e fortemente censurada. Em entrevista à WIRED, ela também relacionou a sensação de confusão sobre o que é real ao avanço do “AI slop”, descrevendo como isso pode aumentar a dissonância cognitiva e levar parte do público a desistir de acompanhar o que acontece.
Harrison disse ainda que a mistura entre consumo de notícias e dinâmica de redes sociais incentiva posicionamentos inflamatórios para obter compartilhamentos. Para ela, a comédia e a arte precisam se basear em verdade, mas o desafio é como abordar realidades mais duras sem transformar tudo em piada fácil ou em ataques a grupos como pessoas trans.
A União Europeia quer proibir chatbots de simular emoções ou relações interpessoais em interações com pessoas menores de 18 anos, como parte do esforço para evitar dependência emocional de crianças e adolescentes. As regras devem entrar no EU Kids Act, proposto nesta quinta-feira, com restrições também ao acesso de menores a redes sociais e plataformas de vídeo.
Crianças menores de 13 anos não poderão usar chatbots sem supervisão dos responsáveis, e as plataformas terão de incorporar proteções de segurança infantil para evitar multas de até 6% do faturamento mundial. O texto ainda prevê que chatbots na UE não retenham memória entre conversas separadas e que serviços como redes sociais, vídeos e jogos não ativem nem incentivem automaticamente o uso de chatbots de IA, incluindo a prática de destacar “companheiros” de IA no topo da lista de contatos.
Ursula von der Leyen anunciou propostas da Comissão Europeia para proteger crianças e adolescentes na internet, incluindo a proibição de redes sociais para menores de 13 anos e a criação de contas limitadas para menores de 15. Entre 13 e 15 anos, os jovens teriam “minicontas” instaladas e supervisionadas pelos pais, com funções restritas e tempo de uso limitado, enquanto plataformas voltadas a 15 a 18 anos teriam de adotar design seguro.
As medidas fazem parte do projeto de lei europeu “EU Kids Act” e dependem da aprovação do Parlamento Europeu e dos 27 países da UE. Documentos consultados pela AFP indicam que a regra se aplicará não só às redes sociais, mas também a assistentes de inteligência artificial, robôs conversacionais (chatbots) e jogos online, com multas que podem chegar a 6% do faturamento mundial em caso de descumprimento.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou uma lei para restringir o acesso de menores às plataformas digitais, incluindo redes sociais, chatbots de inteligência artificial e jogos online. A proposta prevê proibição para menores de 13 anos e perfis supervisionados pelos pais para adolescentes entre 13 e 15 anos, com funções limitadas e restrição de tempo de uso.
Para a faixa de 15 a 18 anos, o bloco pede novos padrões de “segurança desde a concepção”. A Comissão vai apresentar a legislação formalmente nesta quinta-feira, e as empresas passarão a ter a obrigação legal de verificar a idade dos usuários, já que hoje não há exigência de comprovação e bastam declarações no cadastro.
Ursula von der Leyen anunciou uma lei da União Europeia para restringir o acesso de crianças e adolescentes a plataformas digitais. A UE Kids Act vai proibir menores de 13 anos de acessar redes sociais e também inclui plataformas de vídeos, chatbots de inteligência artificial e jogos online.
Adolescentes de 13 a 15 anos terão perfis supervisionáveis pelos pais, com funções limitadas e restrição de tempo de uso. A Comissão Europeia ainda vai propor formalmente a legislação nesta quinta-feira e exigirá que as empresas verifiquem a idade, enquanto von der Leyen também citou a Lei de IA e disse que convidará laboratórios para discutir medidas contra riscos da tecnologia.
Agentes de IA estão inundando a internet com spam enviado a plataformas sociais e a escritores, tentando ganhar tração para uma startup ligada à ideia de um “sistema social complexo” com humanos e agentes. Mensagens enviadas a administradores de servidores Mastodon pedem permissão para criar contas e, em seguida, solicitam acesso após tentativas que foram bloqueadas ou encerradas pouco depois.
Os bots também dispararam e-mails não solicitados a autores oferecendo citações em troca de uma taxa, com relatos de valores na faixa de US$ 25. Administradores e editores dizem que as abordagens automatizam o trabalho de pesquisa e escrita, enquanto a iLands teria agentes presentes também no Bluesky e no X.
Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado da China, alertou que o uso indevido de inteligência artificial pode ameaçar a segurança política, institucional e ideológica do país. Em texto publicado na revista oficial China Cyberspace, ele citou riscos como “guerra de opinião pública” e “guerra cognitiva”, além de deepfakes, conteúdos e bots em redes sociais capazes de fabricar rumores e incitar divisões.
O ministro também mencionou o avanço da IA para descobrir falhas em sistemas e criar malware, e disse que países com vantagem tecnológica poderiam usar a justificativa de segurança nacional para impor controles e “monopolizar” padrões da indústria. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, defendeu um desenvolvimento “aberto, inclusivo, universalmente benéfico e ético”, e o tema deve entrar na pauta da cúpula entre Trump e Xi Jinping em 24 de setembro.
Um artigo científico publicado na Nature Reviews Biodiversity mostra como o tráfico ilegal de fauna e flora ganhou escala na internet, usando redes sociais e outras plataformas para anunciar primatas, aves e plantas. Em um monitoramento de seis semanas, os pesquisadores detectaram mais de 1.600 primatas à venda em quatro redes sociais, e identificaram 33.006 exemplares de espécies protegidas pela Cites em 280 plataformas.
Do total, 54% eram animais vivos e 46% partes ou produtos derivados, incluindo aves, serpentes, rãs, orquídeas e cactos. O estudo aponta baixa percepção de risco, regulação fraca e anonimato como fatores que favorecem a expansão, e defende reforço da vigilância com inteligência artificial, endurecimento da moderação e coordenação entre empresas de tecnologia, reguladores, ONGs e comunidades.
A Meta anunciou mudanças no assistente de IA integrado às suas plataformas depois que uma usuária relatou que a ferramenta sugeria perguntas invasivas sobre suas filhas. Ao clicar em uma sugestão do Meta AI, a mulher afirmou ter encontrado um “portfólio completo” de informações, incluindo dados sobre uma filha que não aparecia no vídeo, como nomes, datas de aniversário e vídeos.
A empresa reconheceu o problema e disse que “errou o alvo”, afirmando que a tecnologia “jamais deveria ter sugerido perguntas como essas a um indivíduo”. A Meta também informou que a correção mira as sugestões automáticas, enquanto a ferramenta pode continuar respondendo a perguntas feitas diretamente pelo usuário, usando informações às quais o perfil já tem autorização de acesso.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, aprovou 13 leis para endurecer regras sobre assistentes de inteligência artificial e redes sociais, com foco na proteção de crianças e adolescentes. Uma das medidas exige que serviços como ChatGPT, Gemini e Claude tenham protocolos de crise quando usuários demonstrarem sinais de que planejam cometer suicídio.
A norma também obriga plataformas a oferecer controle parental e a avisar os pais quando menores desativarem recursos de segurança. Para redes como Instagram e TikTok, a Califórnia proibiu a oferta de recursos viciantes para menores de 16 anos e restringiu práticas como reprodução automática e sugestões baseadas no histórico. Outra lei ampliou a definição de exploração sexual infantil para barrar a veiculação de materiais modificados digitalmente ou gerados com IA para retratar menores em atos de conduta sexual.
Em 2006, o noticiário de tecnologia destacava Orkut, Twitter, a expansão da banda larga e celulares com câmera digital como CyberShot. Vinte anos depois, a rotina passou a ser marcada por inteligência artificial, consumo de conteúdo pela internet e redes sociais guiadas por algoritmos. Para os próximos anos, a expectativa é de avanços como novas viagens à Lua e robôs atuando como assistentes pessoais dentro e fora de casa.
A combinação entre IA e robótica tende a ampliar o uso de assistentes no dia a dia, com impacto direto em como pessoas acessam informações e executam tarefas. Com a evolução das tecnologias digitais, a tendência é que serviços e experiências fiquem cada vez mais integrados à internet e à automação.
Um post no Hacker News reúne reflexões pessoais sobre inteligência artificial, incluindo a surpresa com o desempenho de redes neurais e de LLMs que geram tokens em sequência. O autor também cita preocupações com a ideia de “doom” associada a argumentos sobre uma IA superinteligente, além do receio de que empresas de IA prejudiquem a “web aberta” com crawlers e agentes. A publicação ainda menciona efeitos sobre artistas diante da competição com “AI-slop” e critica a dificuldade de sistemas políticos em limitar o poder de capital ligado ao setor.
No mesmo texto, o autor afirma sentir esperança com a “era de descoberta” e diz que, no trabalho com desenvolvimento de software, a prática teria sido transformada em 2026, permitindo gerar código, imagens e música. Ao final, pondera que o saldo pode ser positivo no nível tecnológico, mas “bleak” no nível social, sem apresentar dados ou resultados mensurados.
A Meta fechou um acordo legal de cerca de US$ 18 bilhões que impõe mudanças no Facebook e no Instagram para proteger usuários menores de 18 anos. O acordo, aprovado por um juiz federal em 26 de agosto de 2026, inclui limite padrão de duas horas diárias combinadas entre as duas plataformas, restrições de uso entre meia-noite e 6h, controles mais rígidos nas notificações e verificações de idade mais rigorosas, com auditoria independente para acompanhar o cumprimento.
A disputa vai além do valor do acordo ao colocar sob escrutínio como as plataformas são projetadas, incluindo algoritmos de recomendação e recursos de rolagem infinita que buscam prender a atenção. Com tribunais e reguladores testando a responsabilização das empresas por elementos do produto, as restrições podem afetar o modelo de negócio baseado em atenção e pressionar concorrentes a adotar salvaguardas semelhantes.
O Google Pics, ferramenta de IA do Google, foi lançada para gerar imagens e elementos gráficos como cartazes, posts de redes sociais e slides para apresentações. Integrado aos aplicativos corporativos do Workspace, o serviço permite criar artes rapidamente usando prompts de texto e oferece recursos de edição dentro do Documentos, Drive e Apresentações, além de um app próprio para computadores.
Ao criar uma imagem, o Pics isola automaticamente elementos como texturas, ícones e textos, que podem ser selecionados e ajustados individualmente com novos prompts sem perder a identidade visual. O acesso está disponível para assinantes dos planos AI Pro ou AI Ultra em contas pessoais e, em planos corporativos e educacionais do Google com IA, além de ter sido lançado em setembro de 2026 em acesso limitado para testadores via Google Workspace Experiments.
A verificação de idade está mudando o acesso à internet ao exigir, em alguns casos, documentos de identidade, estimativa facial da idade ou inferência baseada em comportamento antes de entrar em espaços digitais. Leis em expansão têm puxado plataformas como Discord, lojas de aplicativos, redes sociais e até chatbots de IA para essas exigências, geralmente justificadas como proteção a crianças.
Por trás do objetivo declarado, surgem debates sobre privacidade, anonimato, segurança e limites entre o que uma plataforma decide e o que o governo pode compelir. O episódio destaca ainda riscos de vazamentos e de vigilância associados a essas exigências, além do que engenheiros e empresas devem considerar ao construir sistemas de verificação.
A fraude digital no Brasil passou a mirar a identidade da vítima com “clonagem de identidades” feita a partir de voz, fotos e vídeos obtidos na internet. Um levantamento da Certta e da Nexus aponta que criminosos combinam esses materiais com ferramentas de inteligência artificial generativa para simular credenciais hiper-realistas e se passar por pessoas reais.
O estudo “Mapa de Confiança Digital”, com análises de conteúdos publicados entre janeiro e julho de 2026, registrou 2,8 mil menções sobre manipulação de dados nas redes sociais (7,3% do total mapeado). No recorte, táticas envolvendo Pix e transações somaram 9,1 mil menções (23%), enquanto o debate sobre “Dados Pessoais e LGPD” atingiu 3,3 mil menções (8,3%).
A Meta concordou em pagar até US$ 18 bilhões a 47 estados dos EUA, além de um acordo separado de US$ 1 bilhão com o Texas, após acusações de que projetou suas redes para viciar usuários jovens. O acordo, anunciado em 26 de agosto, também prevê limites de uso e bloqueio do acesso de adolescentes aos aplicativos durante a noite.
A pressão regulatória cresce com decisões judiciais e com debates sobre danos psicológicos associados ao modelo baseado em maximizar engajamento, incluindo casos ligados a ansiedade, depressão e automutilação. Enquanto países discutem restrições para menores e regras como a Kids Online Safety Act, a disputa se intensifica também porque as mesmas plataformas investem pesado em inteligência artificial, o que complica a fiscalização.
Austrália aprovou uma lei que obriga as principais redes sociais a impedir o acesso de menores de 16 anos a partir de 10 de dezembro de 2025, com multas de até A$ 49,5 milhões para quem descumprir. No Reino Unido, a proposta é proibir o uso por menores de 16 anos e, além disso, exigir que empresas bloqueiem o compartilhamento de imagens de nudez por meio de recursos nos celulares.
Na China, o regulador implementou o “modo menor”, com restrições por idade e limites de tempo de tela. Outros países também discutem ou adotam medidas, como Dinamarca (proibição até 15 anos), França (proibição aprovada), Itália (autorização dos pais até 14 anos), Nova Zelândia (proibição até 16 anos com multas de até 10% da receita global) e Turquia (proibição até 15 anos), com exigências de verificação de idade que podem incluir reconhecimento facial e documentos digitais.
A Meta, controladora de Instagram, Facebook e WhatsApp, fechou um acordo para pagar US$ 18 bilhões a estados americanos para encerrar um processo que a acusa de incentivar a dependência de adolescentes nas redes sociais. O valor, porém, só será quitado integralmente se TikTok e YouTube também firmarem acordos nos EUA. A empresa diz que o dinheiro será destinado a atividades de segurança online para jovens e outras prioridades estaduais.
O pagamento será dividido em duas partes: 70% (cerca de US$ 12,7 bilhões) será pago ao longo de 10 anos, enquanto os 30% restantes (cerca de US$ 5,3 bilhões) dependem de restrições para adolescentes no YouTube e no TikTok, como limite diário de uma hora, modo noturno e verificação de idade, além de pagamentos equivalentes por cada plataforma. Paralelamente, a Meta concordou em manter por 10 anos regras para menores de 18 anos no Facebook e no Instagram, incluindo limite somado de duas horas por dia, bloqueio entre meia-noite e 6h, silenciamento de notificações no período escolar e opção de feed sem personalização por recomendações.
Ao abrir o Instagram e ver um post de um político, depois entrar no Facebook e encontrar um vídeo do mesmo candidato e, no TikTok, ver novamente conteúdos parecidos, a diferença de exibição costuma estar nos algoritmos. Esses sistemas identificam interesses de cada usuário e entregam conteúdo personalizado, levando em conta sinais como tempo de visualização, curtidas, compartilhamentos, perfis seguidos e pesquisas feitas dentro da rede.
A recomendação também pode aumentar o alcance quando uma publicação tem potencial de interessar mais pessoas, elevando as chances de viralizar. A principal crítica é a falta de transparência sobre quais abordagens o algoritmo usa e se há viés na entrega; especialistas destacam ainda que, embora não escolham governantes, esses sistemas podem influenciar quais informações chegam ao eleitor, inclusive com impulsionamento pago durante o período oficial de campanha.
Pais e empresas de tecnologia têm reduzido a exposição de crianças a redes sociais e smartphones, após relatos de riscos como cyberbullying e efeitos ligados à imagem corporal. Em paralelo, medidas regulatórias e restrições educacionais se espalham: a Austrália foi a primeira a aprovar uma proibição de redes para menores de 16 anos, enquanto outros países anunciaram iniciativas semelhantes.
Nos Estados Unidos, a Suprema Corte manteve uma lei de verificação de idade no Texas, tratada como uma proibição de fato, e distritos escolares passaram a restringir dispositivos como iPads e Chromebooks em favor de livros. No debate sobre o futuro, a discussão ganha urgência na era da IA, com editores destacando como jovens percebem os riscos e mudanças trazidos pela tecnologia.