Titus Winters, no Craft Conference, defendeu que software só tem valor quando é entregue ao cliente e que acelerar o ciclo de releases exige mudar métricas e investimentos entre desenvolvimento, deployment e operações. Ele citou quatro impactos centrais: sucesso do produto, capacidade de computação, capacidade de engenharia e inovação estratégica, destacando que o maior custo costuma ser gente — e não infraestrutura. Com bugs em produção, a empresa assume perdas reais, e corrigir rápido com atualizações bem testadas tende a ser decisivo.
Winters argumentou que, com a IA no ato de programar, a prioridade dos engenheiros deve continuar sendo entender o problema, com guardrails e conhecimento especialista embutidos em sistemas e políticas organizacionais. Ele também propôs construir experimentos com IA usando token costs como proxy do esforço humano e criando um conjunto robusto de evals para agentes de software, com critérios funcionais e de qualidade escondidos do modelo, além de comparar práticas e ferramentas (como testes unitários e indexadores semânticos) via medições empíricas.
A Kilo Code, ferramenta open source de “agentic engineering”, apresentou dados reais de uso para entender como desenvolvedores adotam ferramentas com IA. O fundador de developer relations, Brendan O'Leary, citou o ecossistema do produto, com interfaces no terminal (CLI), extensão para o VS Code e agentes em nuvem, e afirmou que a análise vem do tráfego observado no gateway da empresa.
O executivo disse que a adoção não segue apenas a narrativa de “capacidade” dos modelos, já que benchmarks e melhorias em avaliações humanas nem sempre se traduzem em uso efetivo em fluxos com agentes. Ele também destacou padrões ligados a “trust ladder” (de autocomplete a orquestração de múltiplos agentes) e apontou pontos técnicos onde a adoção tende a falhar, como construção de contexto, roteamento de modelos e loops de feedback.
O brinquedo robótico “Eiliko”, que responde a crianças e adultos via Wi‑Fi e ajusta expressões ao “humor”, pode enviar conversas para servidores na China. Testes relatados mostram que, após uma conversa curta, um invasor obteve um transcript completo e conseguiu acessar dados de uma grande frota ativa, incluindo perfis de usuários em que crianças são maioria.
A investigação também aponta que a plataforma do fabricante Energize Lab cria perfis a partir do conteúdo das conversas e mantém uma base pesquisável com informações como nome, idade, aniversário, profissão, círculo social e até temas sensíveis buscados por usuários. Além disso, há relatos de falhas de segurança, com dados como imagens e áudios armazenados em endereços públicos e possibilidade de hackers interferirem no LLM do robô, alterando respostas e orientações.
A startup australiana Apate.ai, fundada em 2024, envia milhares de agentes de IA disfarçados de vítimas para interagir com golpistas e coletar informações sobre fraudes. Os agentes respondem a ligações de golpes, mensagens e e-mails suspeitos, clicam em links de phishing e entram em grupos de redes sociais para manter os criminosos engajados por tempo suficiente para identificar detalhes do esquema.
A empresa afirma que sua “frota” já desperdiçou 17 anos do tempo de golpistas em 2,5 milhões de conversas e tenta fazer com que eles revelem dados que normalmente só aparecem após a vítima cair, como contas bancárias, carteiras de cripto, números de telefone, sites maliciosos e marcas usadas na fraude. O conteúdo é fornecido a clientes como bancos, operadoras de telecom e agências governamentais, que usam as informações para orientar ações e medidas antifraude, enquanto a Apate também oferece um portal de insights e permite atribuir “missões” aos agentes.
Uma empresa australiana, a Apate, criou bots com inteligência artificial para atender ligações de golpistas, se fingir de vítima e manter os criminosos na linha por horas. A empresa treinou os sistemas para prolongar conversas fraudulentas e, ao mesmo tempo, coletar dados sobre como esses ataques funcionam.
A Apate opera com um “exército” de 350 mil bots personalizados, com diferentes personalidades e estilos de linguagem, capazes de responder phishing e até participar de grupos online de golpistas. A tecnologia é usada atualmente por bancos e conta com apoio de operadoras de telecomunicação, com bots que podem permanecer em ligações por até duas horas, segundo o fundador Dali Kaafar.