A Spotify ampliou o uso de desenvolvimento assistido por IA e mais que dobrou as mudanças mensais mescladas, de cerca de 8.100 para 17.000 ano a ano em agosto. Com o aumento do volume de alterações nos sistemas de produção, a empresa ajustou controles de qualidade e confiabilidade para lidar com a nova escala.
A companhia opera quase 3.000 serviços de produção para 777 milhões de usuários ativos mensais e relata desafios em processamento de conteúdo, automação de frota e capacidade de computação. Entre as respostas estão melhorias em monitoramento e testes, salvaguardas de rollout e capacidade de rollback, além da adoção do Honk, um agente de codificação em background que executa o Claude via Agent SDK em pods no Kubernetes.
Pesquisadores apresentaram na conferência KDD o estudo “GEO: Generative Engine Optimization”, voltado a melhorar a visibilidade de conteúdos nas respostas de mecanismos generativos. Nos testes descritos, intervenções específicas aumentaram a presença em até 40%, variando conforme o tema pesquisado.
O movimento é comparado ao SEO, mas com uma diferença: ao perguntar a uma inteligência artificial, muitas vezes o usuário recebe uma resposta pronta em vez de uma lista de opções. O texto destaca ainda como a construção de um “rastro público” — entrevistas, artigos, participações e fontes — pode influenciar o que sistemas como os buscadores associados ao ChatGPT encontram e citam, exigindo que assessorias e relações públicas considerem como esses dados são lidos e organizados.
A Starlink já permite que celulares se conectem diretamente aos satélites por meio da tecnologia Direct to Cell, sem a antena usada no serviço residencial. A proposta evoluiu de mensagens de texto para acesso a dados e chamadas via aplicativos, com operação feita em parceria com operadoras de telefonia que disponibilizam parte das frequências.
No Brasil, Vivo e Starlink participam de um ambiente experimental autorizado pela Anatel, com permissão válida até abril de 2029, mas ainda sem oferta comercial ampla. Enquanto isso, a SpaceX recebeu autorização da FCC para implantar até 15 mil satélites de nova geração, com novas frequências para ampliar cobertura e capacidade, inclusive em ambientes internos, aproximando a tecnologia de serviços móveis mais avançados.
O podcast do InfoQ Engineering Culture recebeu Matt Gjertsen, fundador da Built e autor de “Minimum Viable Manager”, para falar das três habilidades essenciais de liderança para quem está gerenciando pela primeira vez. A conversa destaca responsabilidades como fazer as pessoas trabalharem juntas, direcioná-las para as tarefas certas e melhorar o trabalho ao longo do tempo, começando por confiança, expectativas claras e feedback.
O episódio detalha como construir confiança com base em habilidades, decisões e conexão pessoal, além de alertar que novos gestores podem focar demais em provar competência e de menos em criar vínculo. Também aborda como estruturar feedback eficaz, começando por ensinar o time a pedir feedback, usando reforços e redirecionamentos com foco em comportamentos observáveis, e aplicando uma abordagem de gargalo para decidir o que desenvolver em seguida.
O avanço de agentes de IA está levando desenvolvedores a sair do papel de usuários para se tornarem “builders” de sistemas agentic, segundo Angie Jones, VP da Agentic AI Foundation. A transição envolve novas habilidades para construir, observar e depurar sistemas não determinísticos, além de orientar o desenvolvimento de capacidades agentic dentro das empresas.
A adoção do Model Context Protocol (MCP) cresce mais rápido do que a governança, e Jones defende que lideranças operacionalizem padrões internos. No AGNTCon + MCPCon Europe, David Soria Parra citou que o Claude já realizou mais de um bilhão de chamadas de ferramentas via MCP, reforçando a necessidade de controles e “control planes” para o uso e a construção de servidores MCP com estabilidade e governança neutra.
Donald Trump vai entregar nesta quinta-feira (8) a Elon Musk e a outros executivos da área de tecnologia a mais alta honraria científica dos Estados Unidos, informou a Casa Branca. A Medalha Nacional de Ciência será concedida também a Sergei Brin, da Alphabet/Google, Jensen Huang, da Nvidia, e Lisa Su, da AMD, durante o evento “Ciência: Uma Nova Era de Ouro”.
Michael Dell receberá a Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação, principal honraria do setor, junto com Satya Nadella, da Microsoft. Em comunicado, a porta-voz Liz Huston afirmou que a administração agradece as contribuições desses líderes para manter o país na liderança da inovação, e lembrou que eles participaram de encontros em que as empresas se comprometeram a adotar mecanismos de autorregulação no desenvolvimento de inteligência artificial.
Quando projetos de Inteligência Artificial não entregam o esperado, a Boston Consulting Group (BCG) aponta que a tecnologia costuma ser menos o problema do que a forma como a organização trabalha. Em um cálculo com centenas de empresas, a consultoria estimou que apenas 10% do valor da IA vem dos algoritmos e outros 20% da tecnologia para implementá-los, enquanto 70% restantes dependem de repensar como as pessoas atuam e como a empresa se estrutura.
A BCG também encontrou lacunas na adoção: 72% dos funcionários usam IA generativa com regularidade, mas só 36% dizem ter sido treinados adequadamente, e apenas um em cada quatro relata orientação clara da liderança. O levantamento reforça que a execução da estratégia depende de líderes, incentivos alinhados e mudança sustentada de comportamento, além de governança para garantir uma IA confiável.
Donald Trump anunciou a criação da “Super Intelligence Force”, uma força-tarefa para coordenar o esforço do governo federal e manter os EUA na liderança em “super intelligence”. O diretor de inteligência nacional Jay Clayton vai liderar o grupo, com outros integrantes da administração. Em meio ao debate sobre segurança de IA, Trump também citou a intenção de formar uma força e nomear um “AI czar”.
A força-tarefa terá 120 dias para produzir um relatório sobre riscos e oportunidades trazidos pela IA. Clayton deve atuar como presidente, com Andrew Ferguson (FTC), Emil Michael (Pesquisa e Engenharia do Departamento de Guerra) e Scott Kupor (OPM) como vice-presidentes. O mandato prevê planos para responder a ameaças habilitadas por “SI”, ao mesmo tempo em que busca evitar “overregulation” e captura regulatória que possam travar inovação e competição.
As ações da Nvidia atingiram um novo recorde nesta sexta-feira (2), com alta de 2,9%, levando o valor de mercado da fabricante de chips para perto de US$ 6 trilhões (cerca de R$ 31,4 trilhões). Segundo a Bloomberg, o movimento foi impulsionado pelo otimismo dos investidores com o novo agente de inteligência artificial da Meta, o Muse AI, lançado no início de setembro.
O Muse AI foi projetado para executar ações em nome dos usuários e pode acessar contas e informações em aplicativos como e-mail, agenda, pagamentos, saúde, compras e casa inteligente. Com a reação positiva ao agente, cresceu o interesse por empresas que fornecem componentes e infraestrutura para desenvolver aplicações de IA, em um cenário sustentado pela liderança da Nvidia em chips de IA e por resultados financeiros expressivos no trimestre fiscal de 2026.
Elon Musk vai ajudar o Pentágono a identificar as armas e tecnologias necessárias para os conflitos das próximas décadas, em uma iniciativa chamada Project Meridian. O empresário vai dividir a liderança do grupo com Palmer Luckey, fundador da Anduril, e Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos EUA. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, anunciou a iniciativa na quarta-feira (30), e o grupo terá 120 dias para apresentar recomendações sobre as capacidades militares que os Estados Unidos precisarão desenvolver.
O Project Meridian vai analisar como os conflitos podem evoluir em diferentes ambientes, do subsolo ao espaço além da Lua, com foco em tecnologias como drones e armas hipersônicas. A participação de especialistas de fora do Pentágono foi defendida por Hegseth como forma de ampliar a antecipação de cenários futuros, enquanto a presença de executivos ligados a empresas do setor levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse. Ao final do prazo, o grupo deve entregar um relatório público e um anexo confidencial para orientar o planejamento das capacidades militares.
A Alibaba apresentou o Zhenwu V900, descrito como o chip de IA mais poderoso já produzido na China, durante a Apsara Conference em Hangzhou. O lançamento integra um plano de investir mais de US$ 53 bilhões em IA e nuvem, ampliar data centers e reduzir a dependência da Nvidia.
Desenvolvido pela T-Head, o Zhenwu V900 promete desempenho três vezes superior ao Zhenwu M890 e pode ser combinado em clusters de até 500 mil unidades para treinar modelos avançados, com produção em massa prevista para o 1º trimestre de 2027. No mesmo evento, a empresa também falou em um futuro modelo da família Qwen com 5 trilhões a 10 trilhões de parâmetros e citou a expansão da Alibaba Cloud, incluindo a região inaugurada no Brasil em 27 de agosto.
O Google DeepMind está perto de lançar o aguardado modelo Gemini 4, segundo o novo chefe da divisão, Koray Kavukcuoglu. Ele afirmou que o modelo está na fase de refinamento e que a empresa pretende disponibilizar um “early post-training output” o quanto antes, com iterações rápidas em seguida.
A previsão é que o Gemini 4 chegue bem antes do fim de 2026. Kavukcuoglu também citou mudanças internas na liderança do DeepMind e o fato de a Google não lançar um novo modelo “flagship” desde a série Gemini 3, em novembro de 2025, enquanto concorrentes como OpenAI e Anthropic avançaram com novas gerações.
Jensen Huang, cofundador e CEO da Nvidia, nasceu em 17 de fevereiro de 1963, em Taipé (Taiwan), e se formou em engenharia elétrica nos EUA. Antes de lançar a Nvidia no fim dos anos 1990, ele acumulou experiência em projetos de hardware e chips, incluindo passagens por empresas como AMD e LSI Logic.
Sob sua liderança, a Nvidia mudou o foco de GPUs para computação acelerada e passou a sustentar a infraestrutura usada para treinar inteligências artificiais e rodar grandes modelos de linguagem. A empresa também construiu ecossistemas de hardware e softwares proprietários, e a fortuna de Huang é estimada em US$ 190 bilhões, segundo a Forbes em setembro de 2026.
85% das empresas globais apontam o aprendizado de novas tecnologias como vetor central da transformação operacional até 2030, segundo dados do Future of Jobs Report, do Fórum Econômico Mundial. No contexto, líderes de áreas como comercial, finanças e RH passam a precisar entender como funcionam sistemas inteligentes para orientar equipes e validar projetos.
A pressão também aparece em indicadores de mercado: a inclusão de habilidades ligadas à inteligência artificial em perfis de executivos sênior cresceu 74% em um ano, e 73% dos diretores entrevistados pela IBM acreditam que o sucesso corporativo dependerá da capacitação da liderança. A falta de qualificação prática pode gerar atrasos por falta de integração de dados, decisões baseadas em intuição e subaproveitamento de softwares, enquanto o uso de modelos de linguagem foi associado a 12,2% mais rapidez e 40% mais qualidade em análises de casos complexos.
Empresas brasileiras correm para adotar inteligência artificial: 95% planejam usar agentes de IA nos próximos dois anos, mas apenas 27% dizem ter um modelo de governança maduro para isso, segundo a Deloitte. O levantamento também aponta que só 23% das empresas conseguem levar ao menos 40% dos projetos-piloto de IA para uso em escala.
Para reduzir essa distância, cresce a aposta em treinamento sob medida no formato In Company, em que uma escola desenha um programa exclusivo com base nos desafios e na cultura da empresa. Na Saint Paul In Company, as trilhas de IA variam por cargo: analistas focam produtividade e qualidade das análises, enquanto lideranças discutem decisões orientadas por dados, riscos, governança e estratégia de IA, incluindo compliance e reputação.
A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial ganhou um novo foco: a corrida para definir regras que vão governar a tecnologia. Um estudo do CSIS aponta que Washington e Pequim constroem modelos institucionais diferentes, enquanto outros países tentam manter espaço para atuar nos dois lados.
O encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, marcado para quinta-feira, 24, deve colocar a segurança da IA no centro das negociações. A China avançou com a WAICO, criada em julho e com 29 países, enquanto os EUA apostam na Pax Silica, que cresceu de 11 signatários em dezembro de 2025 para 24 em junho deste ano, com foco em cadeias de semicondutores e infraestrutura; o diálogo também pode incluir monitoramento de ataques cibernéticos e definições comuns sobre modelos de fronteira.
O TechCrunch Founder Summit acontece em 4 de novembro, em Boston, no SoWa Power Station, com uma programação de um dia voltada a quem está construindo startups. Entre os temas do evento estão captação, contratação e decisões de liderança, com acesso a investidores e fundadores que já passaram por esses desafios.
A agenda inclui a sessão “Built for AI From Day One”, com Lior Div, cofundador e CEO da 7AI, para discutir o que muda quando a IA vira base da empresa e não apenas um complemento do produto. O encontro também prevê networking com outros founders e discussões que devem se transformar em ações após as sessões.
O InfoQ Engineering Culture Podcast reuniu Shane Hastie com Elisabeth Hendrickson e Joel Tosi para discutir systems thinking como lente para a entrega de software. O episódio aborda como líderes e times podem atuar com “levers” culturais, incluindo mudanças de política definidas pela liderança e “feeding” cultural influenciado por comportamentos do dia a dia.
Os convidados destacam que mudanças reais começam ao observar como o trabalho acontece na prática, e não como ele aparece em dashboards. Também ressaltam que, em sistemas adaptativos, o contexto muda continuamente — então ações que funcionam hoje podem falhar amanhã — e que construir organizações sustentáveis exige cuidado constante e ajustes de rota.
A startup britânica de IA Emulate, criada por ex-pesquisadores do Google DeepMind e incorporada em agosto, negocia uma rodada de até US$ 700 milhões que pode avaliá-la em US$ 3,7 bilhões, segundo o Financial Times. Em apenas um mês, a empresa já se aproxima desse patamar, com Index Ventures e Lightspeed Venture Partners na liderança do aporte.
A Emulate reúne profissionais que trabalharam no Genie, modelo de “mundo” capaz de gerar vídeos realistas e ambientes 3D interativos a partir de comandos de texto. O avanço do Genie, lançado em janeiro, impactou o mercado de games e reforça a tendência de “neo-labs” bilionários saindo do DeepMind, enquanto o cofundador Demis Hassabis deixou o cargo de CEO para assumir a presidência do conselho.
O avanço da inteligência artificial sobre tarefas antes feitas por profissionais colocou no centro das empresas a discussão sobre o que ainda diferencia alguém no mercado de trabalho. Para André Turquetto, CEO da Veloe, comunicação clara — escrever bem, falar bem e explicar com precisão — e a capacidade de construir pensamento próprio são competências decisivas. Ele também defende maior repertório em humanidades e artes, como literatura, história, filosofia e música, como forma de gerar valor em um cenário de tarefas mais racionalizadas pela tecnologia.
No Clube CHRO da EXAME, realizado em 27 de agosto em São Paulo, Alejandra Nadruz, CHRO da Starian, destacou a necessidade de conviver com mudanças constantes e citou o growth mindset como característica-chave. A executiva afirmou que a adoção de IA alterou o perfil comportamental buscado, com foco em adaptabilidade, learning agility e ambidestria, e relatou que a empresa precisou ajustar a postura “AI first” após interpretações internas e que a resistência inicial veio mais de profissionais de tecnologia.
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (16) um projeto de lei para proteger famílias de aumentos nos custos de energia elétrica ligados à expansão de data centers. O texto prevê que reguladores estaduais avaliem se grandes consumidores de energia, como data centers, devem arcar com custos para criar a infraestrutura necessária para atendê-los.
A proposta, chamada Lei de Proteção ao Consumidor de Energia, foi aprovada por 417 votos a 3 e é a primeira legislação da Casa a tratar diretamente das preocupações econômicas com o crescimento do setor. O presidente Donald Trump apoia a expansão de data centers como essencial para a liderança em inteligência artificial, enquanto parlamentares citam a pressão sobre a conta de luz; uma pesquisa da Universidade de Massachusetts Amherst aponta que apenas 11% dos americanos apoiariam um data center de IA em sua comunidade.
Palo Alto, na Califórnia, e Shenzhen, no sul da China, viraram símbolos da corrida tecnológica que pode influenciar economia, inovação e inteligência artificial nas próximas décadas. As duas regiões competem pelo protagonismo em setores estratégicos como semicondutores, IA e eletrônicos avançados.
A reportagem contrasta a consolidação do ecossistema do Vale do Silício, impulsionado por universidades e investimentos, com a transformação acelerada de Shenzhen, que saiu de áreas rurais e se tornou uma metrópole tecnológica após ser escolhida como zona econômica especial no fim da década de 1970. No centro da disputa, especialistas destacam a corrida por chips, considerada estratégica por impactar defesa, telecomunicações e sistemas de IA.
Donald Trump afirmou que críticos da inteligência artificial levantam cenários “que não vão acontecer” e os comparou a “forças muito negativas”. Ele disse que os EUA estão “liderando em relação à China em IA” e que quer manter essa posição, ao comentar a possibilidade de desacelerar a indústria ou aumentar a regulamentação.
O debate ganhou força após alertas de dois pesquisadores da Anthropic sobre riscos do avanço rápido da tecnologia. Depois disso, a Anthropic apresentou uma proposta em três etapas para definir o ritmo de desenvolvimento, com apoio de executivos como Elon Musk e Sam Altman, enquanto o Pentágono também alertou sobre riscos do modelo citado pelos pesquisadores.
Dario Amodei, CEO e cofundador da Anthropic, pediu que as empresas reduzam o ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA, priorizando a prevenção de riscos. A empresa também disse que passará a adotar avaliações independentes de terceiros como parte das salvaguardas. O apelo ganhou força com apoio de Sam Altman, da OpenAI, e de Elon Musk, da xAI, enquanto ex-pesquisador da Anthropic alertou para a possibilidade de riscos se tornarem realistas em prazos de meses a anos.
A polêmica também repercutiu nos mercados, pressionando ações de fabricantes de chips e indicadores ligados à cadeia de suprimentos de IA. Nos Estados Unidos, Donald Trump rebateu a ideia de desaceleração, chamando os defensores de “forças negativas”, e afirmou que a corrida da IA é necessária para manter a liderança frente à China. Analistas ouvidos pela Bloomberg apontaram impacto mais imediato no curto prazo, com possível aceleração de investimentos em cibersegurança e monitoramento de IA.
Um levantamento citado no LeadDev Engineering Leadership Report aponta que um terço dos líderes de engenharia que atuam em cargos de gestão (engineering managers) estão considerando voltar para o caminho de individual contributor (IC). O texto destaca que o papel de EM mudou: ficou mais comprimido, com expectativas maiores e sem uma definição consistente do que se espera do cargo. Ao mesmo tempo, a demanda cresce por ICs com forte julgamento técnico e fluência em ferramentas de IA.
A decisão de migrar para o IC, segundo o relato, passa por recuperar espaço para trabalho “hands-on” e aprofundar habilidades técnicas que tendem a ficar limitadas na rotina de gestão. Com a indústria passando por reestruturações e a redução do número de vagas de gestão, a geração de código ficou mais barata e a disciplina de engenharia ganha peso, enquanto a combinação de fundamentos técnicos com IA vira um diferencial para quem executa no dia a dia.
A Listen Labs, startup de pesquisa de mercado que usa voice AI para conduzir entrevistas com clientes, assinou um term sheet para uma Series C de US$ 125 milhões, com valuation de US$ 1,5 bilhão e liderança da Menlo Ventures. O acordo, porém, não foi concluído: a empresa desistiu do term sheet assinado, em um movimento raro no mercado de venture.
A rodada teria sido interrompida por conversas de aquisição com a Salesforce, que discutiu comprar a Listen Labs por cerca de US$ 2 bilhões. A tecnologia da startup gera perguntas e realiza entrevistas por áudio ou vídeo, transformando as conversas em relatórios e apresentações para empresas que buscam reduzir tempo e custo da pesquisa de clientes.
A vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, foi reconhecida pela revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes em Inteligência Artificial em 2026, na categoria “Inovadores”. A lista TIME100 AI destaca lideranças que ajudam a moldar o futuro da tecnologia.
O reconhecimento reforça a estratégia da BYD de integrar IA ao mundo físico e de combinar hardware e software em soluções como God’s Eye 5.0 e Cockpit Inteligente com Agentes de IA, além de investimentos em robôs e manufatura inteligente automatizada.
A Mistral anunciou a captação de €3 bilhões na Série D, com valuation pós-money acima de €21 bilhões, em uma das maiores rodadas de equity já concluídas por uma empresa europeia de tecnologia. O aporte é liderado pela Samsung Electronics, com co-liderança do Scaleup Europe Fund (gerido pela EQT) e participação de investidores como PSG Equity.
O dinheiro será usado para expandir a pesquisa de fronteira da Mistral, base para sua infraestrutura, produtos e proposta de “soberania” em IA. A empresa afirma que a rodada também vai aumentar a capacidade de computação para treinar modelos e acelerar o crescimento comercial e a presença internacional, atendendo 125+ empresas em 20 países, incluindo Airbus, ASML e HSBC.
A Magalu Cloud promove a quarta edição do Cloud Futures em 9 de setembro, na Arena Magalu, em São Paulo, com debates sobre soberania de dados e os rumos da computação em nuvem no Brasil. O evento reúne executivos e especialistas para tratar de inteligência artificial, multicloud e FinOps, além de apresentar novidades sobre a nuvem pública do grupo varejista.
Entre os nomes confirmados estão Luiza Helena Trajano, Frederico Trajano, André Fatala e Talita Paschoini, com participação também do time de lideranças da Magalu Cloud. A programação inclui representantes como a Globo Technologies, Intel e convidados do setor, e destaca a proposta da Magalu Cloud de infraestrutura 100% brasileira, com mais de 1.500 clientes.
John Ternus, engenheiro de hardware da Apple, passa a ser preparado para um grande cargo na empresa e terá como desafio central a reformulação da estratégia de inteligência artificial. A dependência da Apple de terceiros no campo de IA aparece como ponto sensível, especialmente após o acordo com a OpenAI em 2024 para integrar o ChatGPT ao iPhone.
Observadores aguardam o discurso de Ternus em 9 de setembro para entender o quanto ele vai focar IA, em meio ao avanço do tema no setor. Para o vice-presidente de Dados e Análises da IDC, o risco é a Apple perder relevância num cenário em que OpenAI e Anthropic lideram tecnologia e serviços, já que a empresa não controla toda a infraestrutura de IA como antes.
Uma pesquisa da Microsoft com 20 mil profissionais em dez países, incluindo o Brasil, aponta que apenas 26% dos usuários de IA dizem ter liderança claramente alinhada sobre como usar a tecnologia no trabalho. Ao mesmo tempo, 65% relatam receio de ficar para trás se não se adaptarem rapidamente. Em um estudo separado com 1.800 trabalhadores, a atuação ativa dos gestores como referência elevou em 17 pontos a percepção de valor da IA.
O levantamento também mostra ganhos em pensamento crítico e confiança em ferramentas capazes de executar tarefas com mais autonomia quando os gestores demonstram uso e orientam critérios. Já dados de uso do Microsoft 365 em grandes empresas indicam que, entre usuários que usam IA mais de 100 vezes em 20 semanas, houve aumento de 21,2% em ações ligadas à produtividade e de 7,1% em atividades de comunicação. O estudo ressalta que mais volume de atividades não garante melhores decisões, e que práticas de gestão como indicadores, realocação de recursos e acompanhamento contínuo influenciam os resultados.
IA passou a atuar como apoio para decisões técnicas e revisões de design, e não como ferramenta para acelerar a codificação. Ao iniciar um ADR (Architecture Decision Record), a abordagem mudou: a liderança descreve o contexto de forma informal, deixa a IA rascunhar algo imperfeito e usa a discordância para tornar o raciocínio mais claro.
Um estudo da METR apontou que desenvolvedores levaram 19% mais tempo com IA, mas relataram sensação de 20% mais rapidez; a recomendação é medir melhorias reais e não apenas a percepção. Na prática, a preparação para design reviews passou a focar nas partes menos compreendidas, permitindo formular perguntas precisas e revisar suposições antes que virem implementação.
Manter uma operação baseada apenas em baixo custo pode virar vulnerabilidade quando rotas, tarifas e fornecedores mudam por causa de guerras, inflação e retaliações. Geopolítica passa a pesar no preço de insumos, fretes, prazos, câmbio e margens, exigindo que empresas reavaliem exposição a países, moedas e rotas específicas.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial começa a alterar processos, funções e modelos de negócio, com impacto direto em produtividade e na forma de tomar decisões. Em vez de focar só em indicadores isolados, liderança e áreas como compras, logística, finanças e tecnologia precisam se coordenar para criar alternativas e definir quanto tempo a operação suporta uma ruptura.